Contato Cadastre-se
Home A Igreja Notícias Vídeos Galeria de Fotos Downloads Agenda Pedidos de Oração Pastores Biblia On-line Multimidia Loja Virtual

ESTUDO BÍBLICO

Estudo Bíblico (1)

Tema: Farisaísmo nas igrejas em pleno tempo da Graça

Aula nº 1 Professor: Bp. Anderson Lemos

Assunto: Farisaísmo

I - O farisaísmo

O termo fariseu pode ser entendido como “os separados”.

Tratava-se de uma seita que se vangloriava de ter a correta interpretação da lei de Moisés. Consideravam-se os protetores da lei de Deus e achavam que podiam determinar os limites dentro dos quais os judeus deveriam viver. Na tentativa de aprimorar a lei de Deus, enchiam-na de detalhes e práticas que a distorciam e afastavam mais ainda o povo do seu Deus.

Podemos colocar como origem remota dos fariseus os antigos escribas que continuaram o trabalho de Esdras.

Na época do novo testamento, quando Jesus iniciou o seu ministério haviam muitos partidos e seitas entre os judeus, como, por exemplo, os zelotes, os essênios, os saduceus e os fariseus. Existia ainda um Sinédrio que era uma espécie de conselho formado por 70 anciões e presidido pelo sumo-sacerdote. Este sinédrio era responsável por julgar questões religiosas entre os judeus (para o governo de Roma era vantagem permitir a existência do sinédrio desde que suas decisões fossem favoráveis aos interesses do império). No sinédrio haviam representantes dos partidos, mais a maioria era composta de fariseus e saduceus e, dentre eles, os saduceus eram a maior parte.

Os fariseus não eram o maior partido, porém tinham bastante força por terem a simpatia do povo (classe pobre), enquanto os saduceus possuíam muitos membros da alta classe da sociedade. A liderança do sinédrio estava nas mãos dos saduceus na época de Jesus. Embora o partido dos fariseus não fosse um partido tão grande, foi o que mais tempo sobreviveu após a destruição de Jerusalém em 70dc.

Os saduceus não criam na imortalidade da alma, na ressurreição dos mortos e em seres espirituais; já os fariseus criam nas três coisas.

Tanto saduceus quanto fariseus se opunham a Jesus, os saduceus principalmente por causa da multidão que seguia a Jesus, o que para eles poderia despertar uma represália de Roma e a perda das mordomias e liderança (lembre-se de que o partido possuía membros principalmente das classes aristocráticas). O fato de Jesus ressuscitar mortos aumentou mais ainda o ódio deles. Os fariseus, por sua vez, perseguiam a Jesus principalmente por causa da interpretação da lei e por que ele afirmava ser o Filho de Deus.

Os líderes religiosos não conseguiram enxergar em Jesus o messias, pois Cristo fugia de todos os padrões que eles tinham como santidade. Para os fariseus era inconcebível e ilógico um messias que comia e bebia com os pecadores, não tinha um exército armado, falava com samaritanos, era manso e humilde, etc.

No início da igreja, os apóstolos tiveram muito trabalho com os saduceus (At 5.17,18) e fariseus; principalmente com aqueles que vinham para a igreja e instavam em querer colocar um jugo pesado sobre as costas dos cristãos (At 15.5-34). O Evangelho primeiramente havia sido pregado aos judeus e por isso, a Igreja no início sofria uma forte pressão do judaísmo; alguns achavam que para ser salvo era necessário aceitar a Cristo e obedecer à lei de Moisés. Jesus já havia mostrado que a Graça não seria uma espécie de remendo da lei quando ensinou a parábola encontrada em Mt 9.16,17.

O apóstolo Paulo foi usado especialmente pelo Senhor para falar sobre a Graça de Deus, ele podia falar com a experiência própria de ter sido um fariseu (At 23.6-8; 26.5; Fp 3.3-9) e haver perseguido a Igreja no seu zelo sem entendimento.

Fontes: O Novo dicionário/ Douglas - J.D. (Ed Vida Nova) / Manual dos Tempos e Costumes Bíblicos/ Coleman - William L.(Ed Betânia) / História dos Hebreus - Flavio Josefo. 

 

1.1- Os ensinos

Criam no fato de que o exílio na Babilônia deveu-se a desobediência a Torah, e que a observância desta era uma obrigação individual e nacional. Alegavam deter a interpretação correta da lei; os fariseus afirmavam que poderiam tirar dela à vontade de Deus para situações não expressas diretamente.

O seu extremo zelo sem entendimento; levou a elaboração de costumes que fugiam da vontade de Deus, deixando o amor em último plano. Estas tradições a princípio visavam impedir a quebra da Torah, mais na verdade a encheram de detalhes que distanciaram ainda mais a vontade de Deus do seu povo.

A ênfase do farisaísmo sempre era ética e não teológica.

As tradições e adaptações da lei, somente poderiam ser passadas por eles, pois afirmavam serem estudiosos da Torah.

Todas estas adaptações e tradições; levaram os fariseus a uma grande hipocrisia e a uma supervalorização destas adaptações e tradições.

 

1.2- As características do fariseu

Os fariseus (como também os saduceus) eram marcados pela importância dada à aparência externa e pela grande hipocrisia (vide vocabulário). Estas características fundamentais levavam a uma infinidade de erros. Podemos observar claramente como eram estes religiosos no texto de Mt 23.  Perceba que de alguma forma existem crentes que agem deste modo. Vejamos:

23.4- Colocavam um pesado jugo sobre os discípulos = Igrejas que colocam os seus membros sob um jugo pesadíssimo e incoerente com a verdade; crentes que, individualmente, insistem em querer colocar fardos de tradições humanas sobre os irmãos.

Isto é bem diferente do jugo de Jesus. Mt 11.28-30

23.5- Não faziam as coisas por amor, mas para serem vistos = Igrejas e crentes que trabalham para serem vistos pelos homens e não trabalham para o Senhor; vivem de aparência!

23.5- Queriam aparentar ser mais santos do que os outros = Igrejas e crentes que acham que seus costumes os tornam mais santos; muitas vezes instintivamente acabam querendo ser mais santos do que Deus!

23.6-12- Gostavam de serem visto como mais importantes = Igrejas e crentes cheios de costumes humanos que por este motivo se acham melhores; buscam a liderança a qualquer preço.

23.13- Com seus ensinos afastavam as pessoas de Deus = Igrejas e certos “irmãozinhos” que espantam os pecadores.

23.14- Interesseiros = Igrejas que exploram a fé e ingenuidade dos seus membros, com pretexto de espiritualidade, mais na verdade interessados em alguma coisa;

23.15- Proselitismo = Igrejas e crentes que, ao invés de buscar almas no mundo, tentam tirar as pessoas de outras denominações.

Muitas vezes preferem matar espiritualmente alguém, a aceitar que um irmão seja livre em Cristo e não ande conforme o jugo que desejam impor.

23.16-22- Valorizavam coisas sem importância e desprezavam as que realmente importavam; na verdade eram materialistas = Igrejas e crentes cheios de avareza no coração e muitos que brigam por causa de questões tão banais.

23.23,24- Valorizavam mais os detalhes do que o essencial, deixando o amor por último = Quantos fazem isso...

23.25-28- Aparência de santidade; quando esta deve começar de dentro para fora (necessário é nascer de novo! Jo 3. 3-7) = Igrejas que pregam uma santidade superficial- mudar a roupa é fácil se comparado com mudar o coração!

A conversão tem início no coração e manifesta-se com a mudança de postura e caráter.

23.29-36- Perseguição a Verdade (Os profetas falavam do Messias que havia de vir, o qual eles perseguiam) = Igrejas e crentes que de tanta cegueira; lutam contra a Verdade!

 

Amados; tudo isso é fruto da hipocrisia do farisaísmo. Nos dias de hoje existem muitos que dizem serem cristãos, mais são grandes hipócritas!

O farisaísmo ainda existe no meio da igreja, não apenas nos usos e costumes que vemos em algumas igrejas sendo colocados em pé de igualdade com a graça, mais em muitas outras atitudes também. Aproveitemos para refletir: Será que eu muitas vezes tenho me portado como um fariseu? Talvez você pense:

“Fariseu? Eu?”.

Exatamente! Tendemos ao caminho mais curto, o caminho das aparências, ao invés de deixarmos Deus transformar o nosso íntimo para que as nossas obras passem a ser conforme a nossa fé. Eis aí o motivo de tantas igrejas caírem neste erro.

Estes fariseus modernos procuram o caminho mais curto, se gloriam de andarem debaixo do jugo como se isto fosse mais difícil; entretanto é fácil se tornar um crente na aparência externa, é fácil dizer que uma mulher é crente somente pelo fato de ter um cabelo enorme e um saião bem grande; difícil é mostrar uma vida transformada em caráter e conduta. Eles dizem: “Estas igrejas são porta larga!”, entretanto, verdadeiramente trabalhoso e difícil é ensinar a liberdade com discernimento, esperar pela transformação do coração. Muito fácil é obrigar os membros da igreja a usarem certas roupas e aí dizer que são crentes, quando o coração deles ainda não foi transformado; porta larga é a igreja que acha que, por seus membros gritarem e falarem em línguas são crentes (línguas que na maior parte das vezes não passam de manifestações da carne), ao invés de ensinarem os membros a terem uma vida frutífera; porta larga é viver ensinando e repetindo sempre as mesmas besteiras sem respaldo bíblico, ao invés de ensinarem a Palavra de Deus (e quantos assuntos e livros a Bíblia possui para serem ensinados...). Porta larga é punir a irmã que cortou o cabelo ou usou uma calça comprida (às vezes por causa do trabalho) e deixar impune a crente fofoqueira, o irmão que não paga as suas contas, etc.

 

1.3- Conclusão:

O farisaísmo pode ser visto ainda hoje em algumas pessoas que se dizem cristã, e, o que é pior, podemos notar que denominações inteiras adotam práticas farisaicas, descambando para o legalismo, e colocando as suas interpretações particulares, usos e costumes no mesmo patamar das verdades bíblicas.

 Aprendemos nesta aula o que é farisaísmo, as características de um fariseu e qual é a verdadeira porta larga.

 

BIOGRAFIA:

Anderson Lemos, é bacharel, mestre e doutor em teologia. Professor da Faculdade de Teologia Kairós; Professor do Seminário Bíblico Teológico Verdade e Vida. Pastor Presidente da Igreja Evangélica Verdade e Vida.

 

Estudo Bíblico (2)

Tema: Farisaísmo

Título: Farisaísmo evangélico; uma abordagem dos usos e costumes no meio evangélico.

Aula nº 2 Professor: Bp. Anderson Lemos

Assunto: Diferença entre costume e doutrina.

II - Diferença entre costume e doutrina

Para que possamos entrar na parte das distorções doutrinarias existentes em algumas igrejas, precisamos primeiramente definir o que é costume e o que é doutrina.

O costume muda com o tempo, posição social, sociedade, nível de instrução, cultura, etc. Exemplo: Antigamente os homens usavam chapéu na rua; na Escócia os homens usam saia; na época de Moisés os homens usavam vestidos; no Rio de Janeiro as pessoas andam mais “à vontade” nas ruas devido às circunstâncias sociais, clima, etc.

          A Doutrina é imutável! Ela não varia com o tempo, lugar, sociedade, cultura, posição social, nível de instrução, etc. Exemplo: Roubar era pecado no antigo testamento e continua sendo pecado até hoje.

Baseado nestas diferenças, quando um crente perguntar se na sua igreja tem culto de doutrina, supõe-se que esta pessoa esteja perguntando se há ensino na sua igreja; a resposta será sim; entretanto o que algumas igrejas chamam de doutrina, não passa de mero costume humano, daí a grande confusão que fazem! Seus cultos doutrinários viram verdadeiros cultos carnais de ensino de tradições e a Palavra de Deus é deixada de lado.

Nestes cultos ensina-se que a mulher não deve usar batom (tentam achar isso na Bíblia), ensina-se sobre o cabelo, o tamanho e o uso da gravata, do terno, etc. Somente a doutrina da Bíblia não é pregada!

Resultado: São gerados crentes fariseus, superficiais, meninos e frágeis.

Meus irmãos, o problema não está no costume em si; pois este pode até não ser pecado e ser algo indiferente; se alguém acha que não se deve jogar bola, por exemplo, porque isso pode não ser edificante ou coisa parecida; tudo bem, mais daí a querer impor isto como ensino e verdade bíblica, isto é perigoso!

O maior problema destas igrejas e destes crentes (individualmente falando), é que colocam seus costumes e tradições em grau de importância igual ou superior a Graça de Deus. Exemplo: Para as irmãs serem salvas precisam aceitar a Jesus e colocar uma saia. A irmã que não usa saia; não é salva! Isto é como dizer que temos que aceitar a Jesus e guardar o sábado!

É extremamente perigoso quando se colocam muletas para ajudar a Graça! Fatalmente começaremos a prestar mais atenção nas muletas!

Outro detalhe é observado também na dureza de coração, o modo com o qual se dirigem àqueles que não seguem as suas tradições. As pessoas que cumprem determinados costumes, por vezes, tratam os demais irmãos com desdém; arrogância e até estupidez e maldade.

 

Quando se faz evangelismo, nos deparamos com “crentes” que nos tratam de modo pior do que os ímpios. Algumas jovens são até mesmo ofendidas simplesmente por usarem calça comprida.

Pense bem: Se o uso de determinados tipos de roupas (vale lembrar que não estou falando de trajes sensuais, pois existem calças indecentes e saias indecentes); fosse realmente proibido na Bíblia, isto daria respaldo para maltratarem os que estivessem errados? O que se faz com aquele que está afastado? Acabamos de matar? Ferimos?

Se, por exemplo, o usar de uma jóia fosse realmente pecado, a atitude para com estas pessoas seria a de compaixão e não a de ódio declarado e desprezo!

Cuidado! O farisaísmo leva ao fanatismo extremo e ao ódio! Olhem para os países islâmicos, onde as mulheres podem morrer apenas por terem esquecido de usar o véu.

II. 1. Exemplo de extremismo:

Estarei relatando um caso ressente que vivenciei para mostrar a que ponto chega o farisaísmo. Os nomes foram trocados para se evitar qualquer tipo de constrangimento:

O irmão João teve a sua vida transformada em um verdadeiro tormento quando a sua mulher passou a freqüentar uma igreja evangélica recheada de costumes e virou uma fanática. João estava começando a freqüentar a igreja que pastoreio. Ela tirou seu esposo da igreja alegando que não iria mais a igreja alguma se ele não fosse para a igreja dela.

Hoje o irmão sofre uma grande opressão e perseguição, e vive uma verdadeira guerra emocional com a sua família. Sua esposa o obriga a seguir as suas tradições; resultado: o casamento não é mais o mesmo, a vida espiritual não é mais a mesma, ao ponto do irmão João ter encontrado com a minha esposa e ter dito a ela que estava congregando na mesma igreja da esposa, mas que o seu coração não está lá. Essa mulher não está sendo sábia, e, está enchendo o coração dele de ressentimento e tristeza. (O nome foi alterado para a devida preservação do irmão e de sua família).

 

II. 2 - A imutabilidade doutrinária

Sabemos que as verdades bíblicas são imutáveis, e que as mesmas não sofrem variações através do tempo; ao passo que os costumes e tradições dos homens variam sempre.

Um dos problemas de se não saber diferenciar o costume de uma doutrina está em se prestar atenção ao que não é importante e não perceber o fundamental; presta-se atenção aos detalhes sem importância e despreza-se o ensino importantíssimo!

Podemos observar claramente isto em algumas igrejas nos seguintes textos bíblicos:

 

1º) Dt 22.5 – É ofuscado o ensino contra o homossexualismo e substituído pelos costumes, que nem ao menos estão no texto.

 

2º) Mt 7. 13,14 – É substituído o ensino da necessidade de andarmos em retidão pelo ensino de que a mulher não pode usar batom, calça e jóias; e os homens não podem usar barba, bermudas, jogar bola, etc. Repare que nem ao menos é mencionado tal ensino no texto citado, ou tão pouco está implícito.

 

3º) I Co 11. 2-16 – É substituída a ênfase na submissão da mulher pela questão fútil de que a mulher (segundo eles dizem; e não Deus) não deve cortar o cabelo.

 

4º) I Tm 2. 9-15; I Pe 3.1-7– É trocado o ensino de que a mulher não deve se portar com sensualidade, deve ser humilde, submissa ao marido e de que a beleza verdadeira é a interior, pelo falso ensino de que a mulher deve andar mal arrumada.

II. 3 – O caminho da incoerência

Quando a Palavra de Deus é distorcida, as pessoas são conduzidas ao caminho da perdição, da tristeza e da incoerência. Passamos então a observar comportamentos estranhos.

Constantemente vemos mulheres que usam saias indecentes e sensuais (mas o que importa se é uma saia?); mulheres que se orgulham de um enorme cabelo, mas gritam com o marido e mandam na casa; mulheres que dizem que a calça é do Diabo, mas usam calça em casa e no trabalho; homens que condenam o uso de jóias, cosméticos e calça comprida para mulheres, mas vendem em sua loja; etc.

Queridos, isto não tem outro nome senão hipocrisia!

 

II. 4 – A porta larga

Quando o Senhor Jesus ensinou que deveríamos escolher por entrar pela porta estreita, será que ele estava querendo dizer que era necessário guardarmos certas tradições e costumes? Será que o nosso Senhor desejava nos prender debaixo de um jugo pesado e nos trazer ao legalismo? Absolutamente NÃO!

Se em todo Novo Testamento Jesus ensina que se quisermos guardar a lei estaremos perdidos e que somente seremos salvos através da fé em Jesus Cristo, portanto todos os métodos usados pelo homem para adquirir a salvação sempre serão fúteis diante de Deus; logo, o Senhor não poderia dizer que desejaria nos colocar no caminho estreito da lei e das tradições humanas.

Vejamos então qual é a porta larga e a porta estreita, para isso, vamos analisar o texto de Mateus, capítulo 7, versículos 13 e 14:

“Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.” (Almeida Revista e Atualizada)

Primeiramente observe que o texto destes dois versículos faz parte do sermão do monte. Neste sermão Jesus mostra como deve ser a vida daqueles que entrarão em seu reino. A dificuldade da porta e do caminho estreito é justamente a vida reta a qual Jesus vem expondo no contexto do sermão do monte.

A lei consistia de ordenanças e tratava apenas superficialmente, mas Jesus trata do problema do homem na sua origem. O reino de Cristo envolve muito mais do que aparência externa!

A porta estreita mostra que a vida cristã requer desprendimento desse mundo, deixar de lado os interesses próprios e viver como Cristo viveu, e isto não significa vestir ou não vestir certas roupas, mas algo muito mais profundo, pois, como disse anteriormente, seria mais fácil esconder o meu pecado atrás de uma capa de aparência do que nascer de novo verdadeiramente, abrir mão dos desejos e do “eu”. Somente pode viver a vida cristã aquele que nasceu de novo; para quem não tem o Espírito de Deus, o viver com Cristo é impossível! O caminhar com Cristo é o caminhar do perdão, do sofrer, da santidade que emana do Espírito; e quase ninguém deseja esse caminho.

A porta larga é a da sedução do mundo com os seus prazeres, a porta que satisfaz o “eu”, que pensa em si mesmo e que busca o prazer.  A maioria deseja entrar por ela.

Por incrível que pareça se for comparar com usos e costumes, larga é a porta da falsa santidade; da santidade superficial que se exterioriza com um viver de aparência!

O caminhar cristão é um caminhar de constante abnegação, por isso é difícil para o homem mau e egocêntrico. Veja Rm 12. 1,2; Fp 2. 5-11.

 

II. 5 – Conclusão

Há uma grande diferença entre costume e doutrina, enquanto o primeiro é variável, o segundo é imutável! O que muitas igrejas chamam de doutrina, não passa de mero ensino de homens. A interpretação incorreta da Bíblia leva ao fanatismo e incoerência afastando as pessoas da Verdade. Não devemos nos apoiar em tradições humanas e sim na maravilhosa Graça de Deus!

 

BIOGRAFIA:

Anderson Lemos, é bacharel, mestre e doutor em teologia. Professor da Faculdade de Teologia Kairós; Professor do Seminário Bíblico Teológico Verdade e Vida. Pastor Presidente da Igreja Evangélica Verdade e Vida.

 

Estudo Bíblico (3)

OS APÓSTOLOS

No começo do seu ministério Jesus escolheu doze homens que o acompanhassem em suas viagens. Teriam esses homens uma importante responsabilidade: Continuariam a representá-lo depois de haver ele voltado para o céu. A reputação deles continuaria a influenciar a igreja muito depois de haverem morrido.

Por conseguinte, a seleção dos Doze foi de grande responsabilidade.  "Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. E quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolo" (Lc 6.12-13).

A maioria dos apóstolos era da região de Cafarnaum, desprezada pela sociedade judaica refinada por ser o centro de uma parte do estado judaico e conhecida, em realidade, como "Galiléia dos gentios". O próprio Jesus disse: "Tu, Carfanaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno" (Mt 11.23). Não obstante, Jesus fez desses doze homens líderes vigorosos e porta-vozes capaz de transmitir com clareza a fé cristã. O sucesso que eles alcançaram dá testemunho do poder transformador do Senhorio de Jesus.

Nenhum dos escritores dos Evangelhos deixou-nos traços físicos dos doze. Dão-nos, contudo, minúsculas pistas que nos ajudam a fazer "conjeturas razoáveis" sobre como pareciam e atuavam. Um fato importante que tem sido tradicionalmente menosprezado em incontáveis representações artísticas dos apóstolos é sua juventude. Se levarmos em conta que a maioria chegou a viver até ao terceiro e quarto quartéis do século e que João adentrou o segundo século, então eles devem ter sido não mais do que jovens quando aceitaram o chamado de Cristo.

Os doze apóstolos foram:

1) André;

2) Bartolomeu (Natanael);

3) Tiago (Filho de Alfeu);

4) Tiago (Filho de Zebedeu);

5) João;

6) Judas (não o Iscariotes);

7) Judas Iscariotes;

8) Mateus;

9) Filipe;

10) Simão Pedro;

11) Simão Zelote;

12) Tomé; 

13) Matias (Substituindo a Judas)

 

 

Resumo sobre a vida dos Apóstolos:

 

1) André

No dia seguinte àquele em que João Batista viu o ES descer sobre Jesus, ele o apontou para dois de seus discípulos, e disse: "Eis o Cordeiro de Deus" (Jo 1.36). Movidos de curiosidade, os dois deixaram João e começaram a seguir a Jesus. Jesus notou a presença deles e perguntou-lhes o que buscavam. Responderam: "Rabi, onde assistes?" Jesus levou-os a casa onde ele se hospedava e passaram a noite com ele. Um desses homens chamava-se André (Jo 1.38-40).  André foi logo à procura de seu irmão, Simão Pedro, a quem disse: "Achamos o Messias..." (Jo 1.41). Por seu testemunho, ele ganhou Pedro para o Senhor.

André é tradução do grego Andreas, que significa "varonil". Outras pistas dos Evangelhos indicam que André era fisicamente forte, e homem devoto e fiel. Ele e Pedro eram donos de uma casa (Mc 1.29) Eram filhos de um homem chamado Jonas ou João, um próspero pescador. Ambos os jovens haviam seguido o pai no negócio da pesca. Eram Pescadores.

André nasceu em Betsaida, nas praias do norte do mar da Galiléia. Embora o Evangelho de João descreva o primeiro encontro dele com Jesus, não o menciona como discípulo até muito mais tarde (Jo 6.8). O Evangelho de Mateus diz que quando Jesus caminha junto ao mar da Galiléia, ele saudou a André e a Pedro e os convidou para se tornarem discípulos (Mt 4.18,19). Isto não contradiz a narrativa de João; simplesmente acrescenta um aspecto novo. Uma leitura atenta de João 1.35-40 mostra-nos que Jesus não chamou André e a Pedro para segui-lo quando se encontraram pela primeira vez.

André e outro discípulo chamado Filipe apresentaram a Jesus um grupo de gregos (Jo 12.20-22). Por este motivo podemos dizer que eles foram os primeiros missionários estrangeiros da fé cristã.

Diz a tradição que André viveu seus últimos dias na Cítia, ao norte do mar negro. Mas um livreto intitulado: Atos de André (provavelmente escrito por volta do ano 260 dC) diz que ele pregou primariamente na Macedônia e foi martirizado em Patras. Diz ainda, que ele foi crucificado numa cruz em forma de "X", símbolo religioso conhecido como Cruz de Sto. André.

 

2) Bartolomeu (Natanael)

Falta-nos informação sobre a identidade do Apóstolo chamado Bartolomeu. Ele só é mencionado na lista dos apóstolos. Além do mais, enquanto os Evangelhos sinóticos concordam em que seu nome era Bartolomeu, João o dá como Natanael (Jo 1.45). Crêem alguns estudiosos que Bartolomeu era o sobrenome de Natanael.

A palavra aramaica bar significa "filho", por isso o nome Bartolomeu significa literalmente, "filho de Talmai". A Bíblia não identifica quem foi Talmai.

Supondo que Bartolomeu e Natanael sejam a mesma pessoa, o Evangelho de João nos proporciona várias informações acerca de sua personalidade. Jesus chamou Natanael de "israelita em quem não há dolo" (Jo 1.47). Diz à tradição que ele serviu como missionário na Índia e que foi crucificado de cabeça para baixo.

 

3) Tiago - Filho de Alfeu

Os Evangelhos fazem apenas referências passageiras a Tiago, filho de Alfeu (Mt 10.3; Lc 6.15). Muitos estudiosos crêem que Tiago era irmão de Mateus, visto a Bíblia dizer que o pai de Mateus também se chamava Alfeu (Mc 2.14).  Outros crêem que este Tiago se identificava como "Tiago, o Menor", mas não temos prova alguma de que esses dois nomes se referiam ao mesmo homem (Mc 15.40). Se o filho de Alfeu era, deveras, o mesmo homem Tiago, o Menor, talvez ele tenha sido primo de Jesus (Mt 27.56; Jo 19.25). Alguns comentaristas da Bíblia teorizam que este discípulo trazia uma estreita semelhança física com Jesus, o que poderia explicar por que Judas Iscariotes teve de identificar Jesus na noite em que foi traído.  (Mc 14.43-45; Lc 22.47-48).  Diz às lendas que ele pregou na Pérsia e aí foi crucificado. Mas não há informações concretas sobre sua vida, ministério posterior e morte.

 

4) Tiago - Filho de Zebedeu

Depois que Jesus convocou a Simão Pedro e a seu irmão André, ele caminhou um pouco mais ao longo da praia da Galiléia e convidou a "Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes" (Mc 1.19). Tiago e seu irmão responderam imediatamente ao chamado de Cristo. Ele foi o primeiro dos doze a sofrer a morte de mártir. O rei Herodes Agripa I ordenou que ele fosse executado ao fio da espada (At 12.2). A tradição diz que isto ocorreu no ano 44 dC, quando ele seria ainda bem moço.

Os Evangelhos nunca mencionam Tiago sozinho; sempre falam de "Tiago e João". Até no registro de sua morte, o livro de Atos refere-se a ele como "Tiago, irmão de João" (At 12.2) Eles começaram a seguir a Jesus no mesmo dia, e ambos estiveram presentes na Transfiguração (Mc 9.2-13). Jesus chamou a ambos de "filhos do trovão" (Mc 3.17).

A perseguição que tirou a vida de Tiago infundiu novo fervor entre os cristãos (At 12.5-25). Herodes Agripa esperava sufocar o movimento cristão executando líderes como Tiago. "Entretanto a Palavra do Senhor crescia e se multiplicava" (At 12.24).

As tradições afirmam que ele foi o primeiro missionário cristão na Espanha.

 

5) João

Felizmente, temos considerável informação acerca do discípulo chamado João. Marcos diz-nos que ele era irmão de Tiago, filho de Zebedeu (Mc 1.19). Diz também que Tiago e João trabalhavam com "os empregados" de seu pai (Mc 1.20).

Alguns eruditos especulam que a mãe de João era Salomé, que assistiu a crucificação de Jesus (Mc 15.40). Se Salomé era irmã da mãe de Jesus, como sugere o Evangelho de João (Jo 19.25), João pode ter sido primo de Jesus.

Jesus encontrou a João e a seu irmão Tiago consertando as redes junto ao mar da Galiléia. Ordenou-lhes que se fizessem ao largo e lançassem as redes. Arrastaram um enorme quantidade de peixes - milagre que os convenceram do poder de Jesus. "E, arrastando eles os barcos sobre a praia, deixando tudo, o seguiram" (Lc 5.11) Simão Pedro foi com eles.

João parece ter sido um jovem impulsivo. Logo depois que ele e Tiago entraram para o círculo íntimo dos discípulos de Jesus, o Mestre os apelidou de "filhos do trovão" (Mc 3.17). Os discípulos pareciam relegar João a um lugar secundário em seu grupo. Todos os Evangelhos mencionavam a João depois de seu irmão Tiago; na maioria das vezes, parece, Tiago era o porta-voz dos dois irmãos. Paulo menciona a João entre os apóstolos em Jerusalém, mas o faz colocando o seu nome no fim da lista (Gl 2.9).

Muitas vezes João deixou transparecer suas emoções nas conversas com Jesus. Certa ocasião ele ficou transtornado porque alguém mais estava servindo em nome de Jesus. "E nós lho proibimos", disse ele a Jesus, "porque não seguia conosco" (Mc 9.38). Jesus replicou: "Não lho proibais... pois quem não é contra a nós, é por nós" (Mc 9.39,40). Noutra ocasião, ambiciosos, Tiago e João sugeriram que lhes fosse permitido assentar-se à esquerda e à direita de Jesus na sua glória. Esta idéia os indispôs com os outros discípulos (Mc 10.35-41).

Mas a ousadia de João foi-lhe vantajosa na hora da morte e da ressurreição de Jesus. Jo 18.15 diz que João era “conhecido do sumo sacerdote".  Isto o tornaria facilmente vulnerável à prisão quando os aguardas do sumo sacerdote prenderam a Jesus. Não obstante, João foi o único apóstolo que se atreveu a permanecer ao pé da cruz, e Jesus entregou-lhe sua mãe aos seus cuidados (Jo 19.26-27). Ao ouvirem os discípulos que o corpo de Jesus já não estava no túmulo, João correu na frente dos outros e chegou primeiro ao sepulcro. Contudo, ele deixou que Pedro entrasse antes dele na câmara de sepultamento (Jo 20.1-4,8).

Se João escreveu, deveras, o quarto Evangelhos, as cartas de João e o Apocalipse, ele escreveu mais texto do NT do que qualquer dos demais apóstolos. Não temos motivo para duvidar de que esses livros não são de sua autoria.

Diz à tradição que ele cuidou da mãe de Jesus enquanto pastoreou a congregação em Éfeso, e que ela morreu ali. Preso, foi levado a Roma e exilado na Ilha de Patmos. Acredita-se que ele viveu até avançada idade, e seu corpo foi devolvido a Éfeso para sepultamento

 

6) Judas - Não o Iscariotes

João refere-se a um dos discípulos como "Judas, não o Iscariotes" (Jo 14.22). Não é fácil determinar a identidade desse homem.

O NT refere-se a diversos homens com o nome de Judas - Judas Iscariotes; Judas, irmão de Jesus (Mt 13.55; Mc 6.3); Judas, o Galileu (At 5.37) e Judas, não o Iscariotes. Evidentemente, João desejava evitar confusão quando se referia a esse homem, especialmente porque o outro discípulo chamado Judas não gozava de boa fama.

Mateus e Marcos referem-se a esse homem como Tadeu (Mt 10.3; Mc 3.18). Lucas o menciona como "Judas, filho de Tiago" (Lc 6.16; At 1.13).

Não sabemos ao certo quem era o pai de Tadeu.

O Historiador Eusébio diz que Jesus uma vez enviou esse discípulo ao rei Abgar da Mesopotâmia a fim de orar pela sua cura. Segundo essa história, Judas foi a Abgar depois da ascensão de Jesus, e permaneceu para pregar em várias cidades da Mesopotâmia.  Diz outra tradição que esse discípulo foi assassinado por mágicos na cidade de Suanir, na Pérsia. O mataram a pauladas e pedradas.

 

7) Judas Iscariotes

Todos os Evangelhos colocam Judas Iscariotes no fim da lista dos discípulos de Jesus. Sem dúvida alguma isso reflete a má fama de Judas como traidor de Jesus.

A Palavra aramaica Iscariotes literalmente significa "homem de Queriote". Queriote era uma cidade próxima a Hebrom (Js 15.25). Contudo, João diz-nos que Judas era filho de Simão (Jo 6.71). Se Judas era, de fato, natural desta cidade, dentre os discípulos, ele era o único procedente da Judéia. Os habitantes da Judéia desprezavam o povo da Galiléia como rudes colonizadores de fronteira. Essa atitude pode ter alienado Judas Iscariotes dos demais discípulos.

Os Evangelhos não nos dizem exatamente quando Jesus chamou Judas pra juntar-se ao grupo de seus seguidores. Talvez tenha sido nos primeiros dias, quando Jesus chamou tantos outros            (Mt 4.18-22). Judas funcionava como tesoureiro dos discípulos, e pelo menos em uma ocasião ele manifestou uma atitude sovina para com o trabalho. Foi quando uma mulher por nome Maria derramou ungüento precioso sobre os pés de Jesus. Judas reclamou: "Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários, e não se deu aos pobres?" (Jo 12.5). No versículo seguinte João comenta que Judas disse isto "não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão."

Enquanto os discípulos participavam de sua última refeição com Jesus, o Senhor revelou saber que estava prestes a ser traído e indicou Judas como o criminoso. Disse ele a Judas: "O que pretendes fazer,  faze-o depressa" (Jo 13.27). Todavia, os demais discípulos não suspeitavam do que Judas estava prestes a fazer. João relata que "como Judas era quem trazia a bolsa, pensaram alguns que Jesus lhe dissera: Compra o que precisamos para a festa da Páscoa..." (Jo13. 28-29).

Judas traiu o Senhor Jesus, influenciado ou inspirado pelo maligno (Lc 22.3; Jo 13.27). Tocado pelo remorso, Judas procurou devolver o dinheiro aos captores de Jesus e enforcou-se. (Mt 27.5)

 

8) Mateus

Nos tempos de Jesus, o governo romano coletava diversos impostos do povo palestino. Pedágios pra transportar mercadorias por terra ou por mar eram recolhidos por coletores particulares, os quais pagavam uma taxa ao governo romano pelo direito de avaliar esses tributos. Os cobradores de impostos auferiam lucros cobrando um imposto mais alto do que a lei permitia. Os coletores licenciados muitas vezes contratavam oficiais de menor categoria, chamados de publicanos, para efetuar o verdadeiro trabalho de coletar. Os publicanos recebiam seus próprios salários cobrando uma fração a mais do que seu empregador exigia. O discípulo Mateus era um desses publicanos; ele coletava pedágio na estrada entre Damasco e Aco; sua tenda estava localizada fora da cidade de Cafarnaum, o que lhe dava a oportunidade de, também, cobrar impostos dos pescadores.

Normalmente um publicano cobrava 5% do preço da compra de artigos normais de comércio, e até 12,5% sobre artigos de luxo. Mateus cobrava impostos também dos pescadores que trabalhavam no mar da Galiléia e dos barqueiros que traziam suas mercadorias das cidades situadas no outro lado do lago.

Os judeus consideravam impuro o dinheiro dos cobradores de impostos, por isso nunca pediam troco. Se um judeu não tinha a quantia exata que o coletor exigia, ele emprestava-o a um amigo. Os judeus desprezavam os publicanos como agentes do odiado império romano e do rei títere judeu. Não era permitido aos publicanos prestar depoimento no tribunal, e não podiam pagar o dízimo de seu dinheiro ao templo. Um bom judeu não se associaria com publicanos (Mt 9.10-13).

Mas os judeus dividiam os cobradores de impostos em duas classes, a primeira era a dos gabbai, que lançavam impostos gerais sobre a agricultura e arrecadavam do povo impostos de recenseamento. O Segundo grupo compunha-se dos mokhsa era judeus, daí serem eles desprezados como traidores do seu próprio povo. Mateus pertencia a esta classe.

O Evangelho de Mateus diz-nos que Jesus se aproximou deste improvável discípulo quando ele esta sentado em sua coletoria. Jesus simplesmente ordenou a Mateus: "Segue-me!" Ele deixou o trabalho pra seguir o Mestre (Mt 9.9).

Evidentemente, Mateus era um homem rico, porque ele deu um banquete em sua própria casa. "E numerosos publicanos e outros estavam com eles à mesa" (Lc 5.29). O simples fato de Mateus possuir casa própria indica que era mias rido do que o publicano típico.

Por causa da natureza de seu trabalho, temos certeza que Mateus sabia ler e escrever. Os documentos de papiro, relacionados com impostos, datados de cerca de 100 dC, indicam que os publicanos eram muito eficientes em matéria de cálculos.

Mateus pode ter tido algum grau de parentesco com o discípulo Tiago, visto que se diz de cada um deles ser "filho de Alfeu" (Mt 10.3; Mc 2.14). Às vezes Lucas usa o nome Levi para referir-se a Mateus (Lc 5.27-29). Daí alguns estudiosos crerem que o nome de Mateus era Levi antes de se decidir-se a seguir a Jesus, e que Jesus lhe deu um novo nome, que significa "dádiva de Deus". Outros sugerem que Mateus era membro da tribo sacerdotal de Levi.

De todos os evangelhos, o de Mateus tem sido provavelmente, o de maior influência. A literatura cristã do segundo século faz mais citações do Evangelho de Mateus do que de qualquer outro. Os pais da igreja colocaram o Evangelho de Mateus no começo do cânon do NT provavelmente por causa do significado que lhes atribuíam. O relato de Mateus desta a Jesus como o cumprimento das profecias do AT. Acentua que Jesus era o Messias prometido.

Não sabemos o que aconteceu com Mateus depois do dia de Pentecostes. Uma informação fornecida por John Foxe declara que ele passou seus últimos anos pregando na Pártia e na Etiópia e que foi martirizado na cidade Nadabá em 60 dC.  Não podemos julgar se esta informação é digna de confiança.

 

9) Filipe

O Evangelho de João é o único a dar-nos qualquer informação pormenorizada acerca do discípulo chamado Filipe. Jesus encontrou-se com ele pela primeira vez em Betânia, do outro lado do Jordão (Jo 1.28). É interessante notar que Jesus chamou a Filipe individualmente enquanto chamou a maioria dos outros em pares. Filipe apresentou Natanael a Jesus (Jo 1.45-51), e Jesus também chamou a Natanael (ou Bartolomeu) para segui-lo.

Ao se reunirem 5 mil pessoas para ouvir a Jesus, Filipe perguntou ao Seu Senhor como alimentariam a multidão. "Não lhes bastariam duzentos denários de pão, para receber cada um o seu pedaço", disse ele (Jo 6.7). Noutra ocasião, um grupo de gregos dirigiu-se a Filipe e pediu-lhe que o apresentasse a Jesus. Filipe solicitou a ajuda de André e juntos levaram os homens para conhecê-lo (Jo 12.20-22).

Enquanto os discípulos tomavam a última refeição com Jesus, Filipe disse: "Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta" (Jo 14.8). Jesus respondeu que nele eles já tinham visto o Pai.

Esses três breves lampejos são tudo o que vemos acerca de Filipe. A igreja tem preservado muitas tradições a respeito de seu último ministério e morte. Segundo algumas delas, ele pregou na França; outras dizem que ele pregou no sul da Rússia, na Ásia Menor, ou até na Índia.  Nada de concreto, portanto.

 

10) Simão Pedro

Era um homem de contrastes. Em Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou: "Mas vós, quem dizeis que eu sou?" Ele respondeu de imediato: "Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo" (Mt 16.15-16). Alguns versículos adiante leram: "E Pedro chamando-o à parte, começou a reprová-lo..." Era característico de Pedro passar de um extremo ao outro.

Ao tentar Jesus lavar-lhe os pés no cenáculo, o imoderado discípulo exclamou: "Nunca me lavarás os pés." Jesus, porém, insistiu e Pedro disse: "Senhor, não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça" (Jo 13.8,9).

Na última noite que passaram juntos, ele disse a Jesus: "Ainda que todos se escandalizem, eu jamais!" (Mc 14.29). Entretanto, dentro de poucas horas, ele não somente negou a Jesus, mas praguejou (Mc 14.71).

Este temperamento volátil, imprevisível, muitas vezes deixou Pedro em dificuldades. Mas, o ES o moldaria num líder, dinâmico, da igreja primitiva, um "homem-rocha" (Pedro significa "rocha") em todo o sentido.

Os escritores do NT usaram quatro nomes diferentes com referência a Pedro. Um é o nome hebraico Simeon (At 15.14), que pode significar "ouvir". O Segundo era Simão, a forma grega de Simeon. O terceiro nome era Cefas palavra aramaica que significa "rocha". O quarto nome era Pedro, palavra grega que significa "Pedra" ou "rocha"; os escritores do NT se referem ao discípulo com estes nomes mais vezes do que os outros três.

Quando Jesus encontrou este homem pela primeira vez, ele disse: "Tu és Simão, o filho de João; tu serás chamado Cefas" (Jo 1.42). Pedro e seu irmão André eram pescadores no mar da Galiléia        (Mt 4.18; Mc 1.16). Ele falava com sotaque Galileu, e seus maneirismos identificavam-no como um nativo inculto da fronteira da Galiléia (Mc 14.70). Foi levado a Jesus pelo seu irmão André. (Jo 1.40-42)

Enquanto Jesus pendia na cruz, Pedro estava provavelmente entre o grupo da Galiléia que "permaneceram a contemplar de longe estas coisas" (Lc 23.49). Em 1Pe 5.1, ele escreveu: “... eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo..."

Pedro encabeça a lista dos apóstolos em cada um dos relatos dos Evangelhos, o que sugere que os escritores do NT o consideravam o mais importante dos doze. Ele não escreveu tanto como João ou Mateus, mas emergiu como o líder mais influente da igreja primitiva. Embora 120 seguidores de Jesus tenha recebido o Espírito Santo no dia do Pentecoste, a Bíblia registra as palavras de Pedro (At 2.14-40). Ele sugeriu que os apóstolos procurassem um substituto para Judas Iscariotes (At 1.22). Ele e João foram os primeiros a realizar um milagre depois do Pentecoste, curando um paralítico na Porta Formosa (At 3.1-11).

O livro de Atos acentua as viagens de Paulo, mas Pedro também viajou extensamente. Ele visitou Antioquia (Gl 2.11), Corinto (2 Co 1.12) e talvez Roma.

Pedro sentiu-se livre para servir aos gentios (At 10), mas ele é mais bem conhecido como o apóstolo dos judeus (Gl 2.8). À medida que Paulo assumir um papel mais ativo na obra da igreja e à medida que os judeus se tornavam mais hostis ao Cristianismo, Pedro foi relegado a segundo plano na narrativa do NT.

A tradição diz que a Basílica de São Pedro em Roma está edificada sobre o local onde ele foi sepultado. Escavações modernas sob a antiga igreja exibem um cemitério romano muito antigo e alguns túmulos usados apressadamente para sepultamentos cristãos. Uma leitura cuidadosa dos Evangelhos e do primitivo segmento de Atos tenderia a apoiar a tradição de que Pedro foi figura preeminente da igreja primitiva.

 

11) Simão Zelote

 

Mateus refere-se a um discípulo chamado "Simão, o Cananeu", enquanto Lucas e o livro de Atos referem-se a "Simão, o Zelote". esses nomes referem-se à mesma pessoa. Zelote é uma palavra grega que significa "zeloso"; "cananeu" é transliteração da palavra aramaica kanna'ah, que também significa "zeloso"; parece, pois, que este discípulo pertencia à seita judaica conhecida como zelotes.

A Bíblia não indica quando Simão foi convidado para unir-se aos apóstolos. Diz a tradição que Jesus o chamou ao mesmo tempo em que chamou André e Pedro, Tiago e João, Judas Iscariotes e Tadeu (Mt 4.18-22).

Temos diversos relatos conflitantes acerca do ministério posterior deste homem e não é possível chegar a uma conclusão.

 

12) Tomé

O Evangelho de João dá-nos um quadro mais completo do discípulo chamado Tomé do que o que recebemos dos Sinóticos ou do livro de Atos. João diz-nos que ele também era chamado Dídimo    (Jo 20.24). A palavra grega para "gêmeos" assim como a palavra hebraica t'hom significa "gêmeo". A Vulgata Latina empregava Dídimo como nome próprio.

Não sabemos quem pode ter sido Tomé, nem sabemos coisa alguma a respeito do passado de sua família ou de como ele foi convidado para unir-se ao Senhor. Sabemos, contudo, que ele juntou-se a seis outros discípulos que voltaram aos barcos de pesca depois que Jesus foi crucificado (Jo 21.2-3). Isso sugere que ele pode ter aprendido a profissão de pescador quando jovem.

Diz à tradição que Tomé finalmente tornou-se missionário na Índia. Afirma-se que ele foi martirizado ali e sepultado em Mylapore, hoje subúrbio de Madrasta. Seu nome é lembrado pelo próprio título da igreja Martoma ou "Mestre Tome".

 

13) Matias - Substituto de Judas Iscariotes

Após a morte de Judas, Pedro propôs que os discípulos escolhessem alguém para substituir o traidor. O discurso de Pedro esboçava certas qualificações para o novo apóstolo (At 1.15-22). O apóstolo tinha de conhecer a Jesus "começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas". Tinha de ser também, "testemunha conosco de sua ressurreição" (At 1.22).

Os apóstolos encontraram dois homens que satisfaziam as qualificações: José, cognominado Justo, e Matias (At 1.23). Lançaram sortes para decidir a questão e a sorte recaiu sobre Matias.

O nome Matias é uma variante do hebraico Matatias, que significa "dom de Deus". Infelizmente, a Bíblia nada diz a respeito do ministério de Matias.

Fonte: O Mundo do Novo Testamento - Editora Vida

BIOGRAFIA:

Anderson Lemos, é bacharel, mestre e doutor em teologia. Professor da Faculdade de Teologia Kairós; Professor do Seminário Bíblico Teológico Verdade e Vida. Pastor Presidente da Igreja Evangélica Verdade e Vida.

Departamento de Ensino Teológico do Seminário Bíblico Teológico Verdade e Vida.